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www.sinaprocim.org.br sexta-feira, 09 de abril de 2021
ConstruBusiness NEWS

RETOMADA DE OBRAS, PREVISIBILIDADE E SEGURANÇA JURÍDICA SÃO TEMAS ESSENCIAIS À INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

PARA GUSTAVO ENE, SOMENTE O ATAQUE AO CUSTO BRASIL RESOLVERÁ PROBLEMA DA DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura, integrante da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, órgão ligado ao Ministério da Economia, participou de reunião por videoconferência do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic)


Aconteceu ontem, quinta-feira (8/4) através de videoconferência da Fiesp a reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic), que foi conduzida por José Carlos de Oliveira Lima, Vice-Presidente da FIESP, Presidente dos Conselhos deliberativos do Sinprocim/Sinaprocim e Presidente do Conselho Superior da Indústria da Construção – Consic/FIESP e teve como convidado principal Gustavo Ene – Secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura, integrante da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, órgão ligado ao Ministério da Economia.

“Em 2021, haverá fortes lançamentos imobiliários, que irão significar um incremento de aproximadamente 70% em relação a 2020”, apontou Oliveira Lima, com otimismo. A construção civil liderou a recuperação econômica do país, na pior crise da década, mas é preciso consolidá-la, em função de um mercado imobiliário que cresce expressamente por conta do acesso ao crédito. “Os protocolos de segurança com mais de 30 medidas de prevenção permitiram continuar com as obras devido aos protocolos rígidos sanitários adotados”, informou, na abertura dos trabalhos.

O presidente do Cosic, José Carlos de Oliveira Lima, reforçou o défict habitacional no país e o fato de o setor da construção continuar ativo cumprindo rígidas regras sanitárias.

Gustavo Ene, ao iniciar sua apresentação, lembrou aos membros do Consic que o tempo da política é dado pelos políticos, mas “o tempo dos políticos é dado pela sociedade. Por isso devemos cobrar, exigir, insistir e pressionar incessantemente aqueles que ocupam o governo, sob o risco de permanecermos no mesmo patamar”. Questionado sobre a desindustrialização, Ene apontou o Custo Brasil como principal problema.

“Qual o maior custo do Brasil? A maioria de nós responderia: o tributário. Na verdade, este é o segundo maior. O primeiro é empregar capital humano, e o terceiro, que é o nosso assunto de hoje, é a disposição de infraestrutura”, afirmou o representante da pasta, explicando em seguida que a missão da secretaria é coordenar, em nível federal, o planejamento de longo prazo e definir metas de investimentos em infraestrutura. “Precisamos maximizar a produtividade e a competitividade, a fim de fomentar o desenvolvimento econômico e gerar empregos qualificados”.

Ene disse que a sociedade não pode fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes, e que nos últimos 40 anos o Brasil não fez o dever de casa em relação ao estoque de infraestrutura como porcentagem do PIB. “Se não atacarmos os problemas de infraestrutura, dificilmente conseguiremos construir uma nação próspera para todos”.

Participação do setor privado

Segundo ele, a necessidade de investimento anual gira entre R$ 100 a R$ 300 bilhões por ano. “Não existe outro caminho, a não ser o choque de investimento privado. Os recursos públicos são escassos e limitados, e agora essa questão se agravou pela pandemia. Mas para que isso ocorra [investimento privado] é necessário liberalizar, onde for possível, a participação do Estado”.

No que depende exclusivamente do governo, Ene afirmou ser necessário melhorar os projetos, melhorar a atratividade e reduzir riscos. “O plano integrado de longo prazo da infraestrutura prevê para os próximos 30 anos a indicação dos investimentos necessários, agregados por setor. Não apenas isso, mas também é essencial analisar a relação custo-benefício de cada projeto”.

“Precisamos saber a real necessidade do investimento, saber a melhor solução comercial, quais tecnologias devem ser empregadas, se existem recursos ou não, bem como a capacidade de pagamento dos usuários, mão de obra, alinhamento com parceiros, entre outros fatores”, exemplificou.

Preparar bem um projeto evita problemas durante a execução, ter mais de 14 mil obras paralisadas, como “creches, unidades de saúde concluídas e fora de operação por falta de recursos de custeio, projetos que avançam sem maturidade, alterações de projeto durante a execução ou que simplesmente não são a melhor alternativa para solucionar o problema”, pontuou.

E se o Brasil quiser atrair investimento externo, não pode esquecer três pontos cruciais. “O dinheiro não virá de fora se não houver clareza em relação ao retorno financeiro estimado, dos riscos envolvidos e da existência de segurança jurídica”, finalizou.

José Carlos Oliveira Lima, ressaltou a importância das palavras ditas de Gustavo Ene e disse que concorda plenamente com tudo que foi colocado em pauta na reunião, principalmente sobre as obras paradas e reforçou a importância da mudança de cultura e que o setor da Construção é de extrema valia para a retomada da economia em um momento tão delicado como este.

Fonte: Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

 

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